segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Política é coisa Séria e Decente

(OPINIÃO)


É comum se ouvir que a atividade política é coisa para desonestos, ou, pior, que todo político é desonesto. Mas ainda tem sido habitual escutar que o Congresso Nacional - tanto quanto as casas legislativas estaduais e municipais - não merecem crédito e, portanto, que seria melhor nem existissem. Houve até quem dissesse que se tratava, o Congresso, de um lugar prenhe de ?picaretas?.

Infelizes, todavia, essas assertivas. Não só porque existem, sim, homens íntegros e probos na vida pública, como porque muito pior seria se não tivéssemos um parlamento, onde a sociedade é fielmente retratada, com todas as suas qualidades e mazelas. É assim que é a democracia, jamais se podendo admitir saudável a substituição desse regime por outro de natureza autocrática, ainda em que em nome de uma postura pretensamente ?saneadora da moralidade?. Distorções de conduta por parte de parlamentares existem e existirão sempre, mas elas, obviamente, não devem servir de justificativa para um mal maior, qual o da restauração de uma ?ditadura iluminada?. Os fins não justificam os meios, é bom lembrar.

Saídos de longo período de exceção, era natural que passássemos por algumas provações, como esta que se vê exposta no julgamento, pelo STF, dos 40 acusados de crimes variados. Mas de tal processo judicial deflui uma depuração dos costumes políticos, sendo lícito supor que o mero recebimento das denúncias já sirva como forma de condenação moral desses que se desviaram do caminho ético. Como disse o Ministro Carlos Britto, que honra a Corte Suprema, ?onde a ética na política não é tudo, a política não é nada?.

Ainda sou daqueles, porém, que acreditam na restauração da credibilidade da instituição parlamentar, às custas da cada vez mais exigente escolha dos seus integrantes pelo eleitorado e da imposição de rigorosos limites éticos ao seu comportamento.

Os Políticos, afinal, não vieram da galáxia de Andrômeda... foram, ao contrário, escolhidos por nós mesmos. E não me venham com essa estória de que é melhor ser ?apolítico?. Coitado de quem o é. Todos, sem exceção, nos devemos ocupar da política como coisa séria e decente.

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