quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Trabalhar menos para ser sustentável

Carolina Deriv - Eco Balaio
















É janeiro e eu ainda não consegui recuperar as energias que 2011 me sugou. Ando pensando muito sobre formas de equilibrar a boa vida com as minhas necessidades materiais. Ou seja, dentro possível, trabalhar menos.
Essa é uma típica medida de sustentabilidade, porque traz benefícios cruzados nos mais diferentes campos da vida individual e coletiva. No Reino Unido, reporta o Guardian, a proposta de reduzir por lei a carga de trabalho voltou a tomar força com a crise econômica.
Se o expediente tem horas reduzidas, isso abre espaço para contratar mais gente, o que significa combate ao desemprego, redução das despesas nos serviços de saúde (Europeus trabalham menos que americanos. Como resultado, um europeu de 50 anos tem metade da chance de desenvolver diabetes e doenças do coração, diz o World Changing) e um estímulo para aumentar o consumo em atividades de lazer.
Cada vez mais modelos e pesquisas demonstram que diminuir o espaço do trabalho na vida das pessoas é bom para a economia. A revista Forbes me conta (quase não consigo acreditar!) que o francês médio trabalha 18 horas por semana. Eu, se consigo ficar só nas 40 horas, já me considero afortunada.
O estado de Utah, nos Estados Unidos, implantou a semana de trabalho de quatro dias para funcionários públicos há pouco mais de um ano. O governo estadual economizou mais de US$ 5 milhões com a redução de contas como horas extras, zeladoria, aquecimento e refrigeração. E isso não significa reduzir a produtividade, porque as horas não trabalhadas de sexta-feira são distribuídas pelos demais quatro dias. De quebra, esse tipo de medida pode reduzir os engarrafamentos da hora do rush e, consequentemente, as emissões de carbono. Até a produção de lixo é impactada se o trabalho diminui.
Tomar essa decisão unilateralmente é muito mais fácil para quem é freelancer. Mas não custa nada tentar debater a semana de quatro dias se você trabalha num lugar que dá abertura para as ideias dos funcionários. Aqui, a jornalista freelancer Linda Formichelli conta como conseguiu reduzir a semana de trabalho a apenas dois dias e ainda manter a mesma renda. Em linhas gerais, a dica é trabalhar com metas e dar o maior gás nesses dois dias, eliminando o tempo perdido com checagem de emails e redes sociais.
Numa linha mais radical, certa vez entrevistei uma arquiteta que cortou sua renda pela metade e não se arrependeu. Ela se deu conta que todo esse dinheiro ia para supérfluos, como roupas de marca e manicure. “Troquei coisas por vida”, ela me disse. E essa frase ecoa na minha cabeça até hoje como mantra e inspiração.
Crédito/Foto: HaPe_Gera

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