
Eles buscam, cada vez mais cedo, ocupar cargos estratégicos dentro de grandes empresas. Mas, para isso, é fundamental construir um currículo sólido e frear a ansiedade típica da Geração Y
05/09/2011 | 00:01 | LUIZ FELIPE MARQUES, ESPECIAL PARA A GAZETA DO POVOTrocar a camiseta e a bermuda pelo terno e gravata, assim como os dias de faculdade pela rotina de trabalho em grandes empresas são desejos cada vez mais comuns entre os jovens universitários. E boa parte deles espera que essa mudança aconteça em pouco tempo. Esse movimento foi acentuado na última década, motivado pela combinação dos anseios da chamada Geração Y e do momento econômico do país. “Nós vemos dois movimentos. O primeiro é o da evolução do mercado e das informações ligadas a ele, que foi determinada pelo andamento da economia e pela dinâmica das empresas. O outro diz respeito aos próprios jovens e sua ânsia pelo conhecimento e desenvolvimento profissional”, explica Carlos Contar, diretor regional da consultoria Business Partners.
A característica de buscar resultados rápidos diz muito sobre essa geração. De acordo com Contar, muitos dos novos profissionais já chegam ao mercado de trabalho com “qualificações interessantes”, como bons currículos acadêmicos, vivência no exterior e fluência em idiomas estrangeiros.
Motivações
Assim, não é de se estranhar que os fatores que mais motivam esses jovens no ambiente corporativo estão ligados a desafios, à chance de reunir cada vez mais conteúdos e também à busca de reconhecimento.
Os riscos que a ansiedade pode gerar
O amadurecimento e a qualificação precoces, assim como as ambições dessa geração, são bem vistos por boa parte das empresas, que têm feito apostas constantes nesses jovens. No entanto, algumas das posturas da Geração Y podem representar aspectos negativos.
Em muitos casos, de acordo com Contar, da Business Partners, o que vai determinar esta relação é o comportamento de cada jovem e também o perfil da empresa que o recebe.
Do lado dos profissionais, um dos pontos que podem atrapalhar a relação é o da inexperiência. “Eles entram capacitados, sim, mas sem conhecer tão bem a cultura das empresas e, por vezes, do cargo. E há todo um contexto já existente de funcionamento das organizações”, aponta Contar.
Além disso, o aspecto da “pressa” na profissão também pode se mostrar prejudicial. Por mais que a energia e a “boa ambição” sejam elogiadas, as curtas passagens por empresas e cargos, reunindo experiências superficiais, podem ser mal vistas. “Muitas vezes as organizações não conseguem propiciar o crescimento rápido nem os benefícios e motivações que esses jovens esperam. Por mais que muitas companhias tenham todo um plano de desenvolvimento de carreiras, em alguns casos, os perfis e intenções de cada um podem não dar certo”, diz Fernando José Elias, psicólogo especialista em terapia cognitivo-comportamental.
De acordo com ele, a aposta pode então se transformar em decepção, ainda mais pensando nos altos investimentos feitos por empresas no momento para a entrada e a capacitação dos novos profissionais.
Os segmentos mais “abertos” aos jovens
Alguns segmentos do mercado, assim como áreas específicas das companhias são mais suscetíveis a trabalhar com essa geração. “Todas as empresas devem ter um nível mínimo de adaptação a essa geração, mas é claro que isso fica mais acentuado nas que também estão em constante atualização”, diz Elias. Como exemplo, ele fala dos setores de tecnologia e publicidade.
Já pensando nos departamentos dentro de companhias que atendem melhor às expectativas dos jovens, Contar, da Business Partners, destaca as áreas de marketing e finanças. A primeira se justifica pela exigência de um bom nível de informação e a busca pela inovação. Já a segunda, mesmo vista como mais “quadrada”, pode proporcionar boas oportunidades de carreira e ascensão profissional.
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