
Órgão da prefeitura diz que não há locais com visibilidade reduzida no Centro de Curitiba e atribui colisão de ônibus à imprudência
Em matéria publicada ontem pela Gazeta do Povo, especialistas indicaram os cruzamentos entre a Travessa da Lapa com a André de Barros e da Travessa da Lapa com a Avenida Visconde de Guarapuava como pontos em que os motoristas têm a visão limitada pelas edificações. O Ippuc nega a possibilidade e, segundo a assessoria do órgão, a implantação do Anel Viário, que pretende desviar cerca de 30% dos veículos que transitam pela região central da cidade, não vai evitar acidentes. O anel vai apenas melhorar a fluidez na região central, informou o órgão.
O coordenador do curso de Arquitetura e Urbanismo da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Carlos Hardt, tem a mesma opinião. “Não dá para fazer uma analogia. O motivo do acidente é a imprudência. Se todos respeitassem a sinalização, não existiriam os acidentes”, diz. “Organizar e hierarquizar o trânsito melhora a condição de tráfego. Mas não é possível afirmar que o anel vai minimizar os acidentes.”
Hipótese
Ainda não se sabe o que causou a colisão. O Instituto de Criminalística deverá levar pelo menos 60 dias para concluir o laudo, segundo a chefe da divisão técnica da capital, Joice Malakoski. Para especialistas em trânsito, como as ruas possuem semáforo, o acidente deve ter ocorrido depois que um dos motoristas furou o sinal vermelho. Os envolvidos no acidente negam essa hipótese.
O professor Ricardo Bertin, coordenador adjunto do curso de Engenharia Civil da PUCPR, diz acreditar que um dos dois condutores pode ter se adiantado. “O que pode acontecer é, como os motoristas conhecem os trajetos e tempos dos semáforos, um pode ter avançado no final do amarelo e o outro acelerado achando que ia abrir o sinal para o verde”, afirma.
Para o professor de segurança viária do curso de Engenharia Civil da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Pedro Akishino, acidentes com essas características acontecem após algum condutor furar o sinal. O instrutor de cursos técnicos sobre trânsito Aldo Budel concorda. “Não tem como o semáforo estar amarelo para um e verde para o outro”, afirma.
Versões
André Willy Isaak, gerente de recursos humanos da Leblon, empresa do ligeirinho, diz que irá aguardar o laudo policial para verificar de quem foi a culpa pelo acidente. A empresa ainda quer conversar mais uma vez com o motorista, José Cleiton. “Ficamos surpresos. Ele é um funcionário experiente na linha e já participou de várias palestras de qualificação”, diz. O motorista teria relatado que o sinal estava aberto para ele.
A Leblon verificou os sistemas de segurança instalados no ônibus. De acordo com Isaak, o tacógrafo mostrava que a velocidade do ligeirinho no momento do acidente era de 40 km/h. A empresa aguarda o relatório de um software que monitora a velocidade do veículo, o impacto da direção e as freadas dadas pelos motoristas.
Segundo Isaak, a empresa possui seguro e está prestando assistência às vítimas. Ele explica que, durante o fim de semana, um funcionário entrou em contato com os acidentados. “Nos passaram a informação de que 41 pessoas ficaram feridas. Já entramos em contato com 25. As outras foram liberadas no local do acidente”, explica.
A reportagem da Gazeta do Povo procurou a empresa Glória, responsável pelo biarticulado, mas ninguém se manifestou sobre o assunto. No sábado, após o acidente, o motorista do biarticulado não quis gravar entrevistas, mas disse para as autoridades que o sinal estava verde para ele.
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