domingo, 17 de janeiro de 2010

Os bastidores de 2008. Parte I.


Além dos pecadilhos, dos pecados veniais, dos pecados mortais que em seu nome se pratica, com desfaçatez, a política tem seus encantos.

É um jogo sedutor, sem dúvida. Convoca, atrai, vicia, escraviza. Nem tudo é missão ou sina. Por vez, o sujeito empaca – como burro brabo – na pretensão e segue empalmando segredos. Não raro mistifica, fantasia, investe no engodo. Maqueia, vaselina, enrola. Joga pesado.

Quando ganha, é comum esquecer que o tempo urge e o mandato é sazonal e breve. A organização social, todavia, precisa da outorga estatal. Sem regra, sem norma, sem lei a merda vira boné.

O Executivo é ruim? E daí… Sem ele é pior. A política é a arte da safadeza? Pode até ser. Mas tem gente boa que sinceramente quer fazer.

O mais interessante, porém é a defasagem entre o caminho e o exercício do Poder.

No palanque o blá, blá, blá chega a ser cínico. Há todo tipo de promessa. Algumas mirabolantes. O mais engraçado, contudo, é a amnésia do escolhedor. No jogo do mistifório vale tudo. O mentiroso e a vítima se completam, se irmanam, namoram e casam. O enlace denota verdadeira concupiscência. O troca- troca termina por seguir o mesmo rumo. E o destino é a repetição enfadonha de não cumprir o prometido.

O jogo do Poder é cruel e repetitivo. No episódio das eleições municipais de 2008 em nossa cidade, após infinitas reuniões e juras de amor ao grupo, o nome da mudança se transformou em nome da rendição aos interesses. Tá e daí? Hoje está bem, pois sua escolha mesquinha e hoje bem clara que apenas pensou em si, deu frutos! Cargos com salários gordos para o padrão da nossa região, regalias e uma garantia de 4 anos com a chance de melhorar de vida. E daí?

Dois mil e dez vem aí. O Carnaval é cedo, a Copa no meio do tempo e a Eleição Federal. Sem dúvida o pau vai cantar. Café e leite nem pensar. Enquanto isso, Dilma trafega no paralelo. É Roussef pra homem nenhum botar defeito. E tudo recomeça no ABC. Lula é Adão.

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